O ano de 2016 quebrou o ritmo de crescimento do e-commerce brasileiro. Até então, o segmento registrava um desempenho de dois dígitos ano a ano e deve fechar o ano passado com um crescimento nominal de 8%. Considerando a inflação do e-commerce em torno de 5,64%, o e-commerce deve fechar 2016 com um crescimento real abaixo dos 3%. Contudo, 2017 deve voltar a ser um bom ano para o setor, segundo André Dias, COO da Ebit.

“O desempenho de 2016 é realmente por conta da crise. Mas ainda assim, o setor deve registrar resultados na contramão do varejo em geral, que deve ficar com um resultado abaixo dos 3,5%”, disse à NOVAREJO. Segundo o executivo, parte do crescimento verificado no ano passado está relacionada à migração do consumidor brasileiro para o canal digital.

Essa migração, explica, deve-se aos preços, tradicionalmente mais baixos no e-commerce, e que foram os principais atrativos para o consumidor em tempos de crise e busca de oportunidades. “Durante a crise, os preços demoraram a ser repassados para os consumidores, que conseguiram ver mais vantagens no canal”, explica Dias.

Mudança irreversível
Uma das mudanças que têm ocorrido no e-commerce ao longo dos anos e que não deve mudar o modo como se faz negócios na internet é a questão do frete grátis. “Era uma estratégia comum, mas as lojas diminuíram muito o porcentual de venda com frete grátis”, afirma Dias. “Não existe almoço grátis e esse foi um movimento forte em 2016 e é um fator que afeta diretamente as vendas do comércio eletrônico”, diz.

Dias explica que na busca de melhorar o fluxo de caixa, ao invés de oferecer frete grátis, o setor melhorou a forma de pagamento, mas sem extrapolar a quantidade de parcelas.

Confiança
Além do preço, a confiança que os brasileiros têm colocado cada vez mais no canal web tem feito a diferença nos resultados. E deve fazer ainda mais em 2017.  “A barreira de confiança do consumidor já foi rompida e ele compra com uma segurança maior no comércio eletrônico. Essa questão já é uma barreira ultrapassada”, diz.

Tanto é que tem crescido as vendas via dispositivos móveis: até o final de 2014, eles representavam em torno de 5%, passando para 10% em 2015. Em 2016, por sua vez, 26% das vendas ocorreram através dos dispositivos móveis, segundo o especialista. O crescimento esperado para 2017 deve vir, justamente, dos aparelhos móveis.

Categorias
Nos dois últimos anos, itens mais dependentes de crédito sofreram mais, como eletroeletrônicos, móveis e eletrodomésticos. Mas, quando olhamos para o e-commerce, a categoria de celulares é uma das que têm crescido e deve continuar sendo destaque em 2017. “Olhando para outras categorias, a gente tem a categoria de saúde, alimentos e bebidas, que ainda não tem grande representatividade e participação de mercado, em crescimento”, afirma Dias.

Segundo ele, a categoria de moda e acessórios, que sofreu no e-commerce, também deve voltar a crescer, até porque as pessoas cortaram esses gastos, por conta da crise. “Com essa pequena retomada da economia, moda deve voltar a crescer e esses setores de nicho devem ter destaque”, acredita.

Oportunidades
Olhar mercados de nicho é uma oportunidade para o empreendedor que olha para o e-commerce como um canal para abrir seu negócio. “Sempre aconselhamos o pequeno empreendedor de e-commerce a trabalhar com produtos exclusivos ou em categorias mais de nicho, como bebês, pets, que ainda são pouco explorados na rede”, explica Dias. Assim, fica mais fácil alcançar e fidelizar um cliente, em um mar de e-commerces na internet. “Com isso, há mais espaço para visibilidade e as oportunidades estão concentradas nessas áreas”, avalia.

(Por NoVarejo – Camila Mendonça) varejo, núcleo de varejo, retail lab, ESPM