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O momento difícil da BR Pharma, de varejo farmacêutico, não passa. Mais uma vez, a companhia registrou prejuízo. No ano passado, foram R$ 424,4 milhões em prejuízo – um número bem maior que os R$ 283,2 milhões verificados em 2015.

E isso mesmo após a venda das bandeiras Mais Econômica e Drogaria Rosário, entre 2015 e 2016. Agora a companhia detém as marcas Farmais, Big Ben e Sant’ana.

A má fase da empresa não é de hoje. Tanto que a empresa iniciou uma reestruturação há cerca de dois anos para tentar se recuperar de sucessivas quedas no valor das suas ações após André Esteves, ex-acionista controlador da companhia e presidente-executivo do BTG Pactual, ter sido preso na operação Lava Jato ao final de 2015. Naquela época, o banco detinha 37% da companhia.

Ainda assim, os resultados não chegaram. O valor da dívida da companhia, ao final do quarto trimestre do ano passado, chegou a R$ 568,7 milhões – o valor representa mais de 30% do total de vendas da empresa no ano, cujo total foi de R$ 1,59 bilhão.

O aumento do endividamento se justifica, uma vez que a companhia não tem conseguido gerar caixa suficiente para operar com saúde. Para se ter uma ideia da fragilidade, a BR Pharma encerrou o ano com posição de caixa de apenas R$ 39,8 milhões.

Com isso, a BR Pharma resgatou suas debêntures – títulos de dívidas da empresa – e recorreu a mais empréstimos. “Para adequar o nível de endividamento da Companhia ao contexto operacional atual, foram resgatadas as debêntures da 4ª. e 5ª. Emissão e novas linhas de financiamento foram tomadas com o objetivo de financiar a recomposição do capital de giro e viabilizar a retomada do crédito junto aos fornecedores para regularização do abastecimento e elevação dos estoques, para o processo de retomada do nível de vendas das plataformas Big Ben e Santana”, explicou a companhia.

A situação da companhia se agravou com a crise. As vendas caíram 38% ao longo do ano e quase 64%, considerando apenas os três últimos meses do ano. “A redução apresentada foi principalmente em função do desequilíbrio no capital de giro devido, principalmente, à redução do nível de estoque”, disse a empresa em relatório.

A ruputura nas lojas se agravou devido a problemas com fornecedores. “O elevado nível de endividamento e concentração de boa parte das obrigações no curto prazo ocasionaram uma piora sensível no capital de giro da companhia, trazendo reflexos como a perda de crédito junto aos fornecedores e consequente queda substancial no abastecimento e nos níveis de estoques ao longo de todo o exercício”, disse a empresa.

Para evitar maiores derrocadas, a empresa ao longo do exercício de 2016 realizou a integração administrativa “aproveitando a sinergia e racionalizando recursos, o que amenizou o consumo de caixa no cenário desfavorável de redução de receita e baixo nível de abastecimento”.

Outras iniciativas têm sido adotadas, além das vendas das bandeiras, como a concentração da operação de lojas próprias nas regiões Norte e Nordeste; a Racionalização e otimização de despesas e de toda a estrutura de backoffice e centralização de grande parte destas atividades na cidade de Belém (PA); ajuste e racionalização no plano de sortimento das plataformas Big Ben e Sant’ana; melhoria de controles e gestão para manutenção de margens, gestão dos estoques e acompanhamento de resultado de lojas.

Ao todo, a empresa tem 820 pontos de venda em todo o País, sendo que 447 são da rede de franquias Farmais e as demais 373 são próprias. Entre 2015 e 2016, a companhia reduziu em 159 o número de lojas próprias. Além disso,  no ano passado qualquer plano de expansão foi deixado de lado: o foco foi no aumento da rentabilidade das operações e geração de caixa.

(Por NoVarejo – Camila Mendonça) varejo, núcleo de varejo, retail lab, ESPM