Quase três quartos de toda a receita obtida pelo comércio no Brasil fica na mão de somente 3,7% das empresas. O dado é do levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomercio-SP) divulgado nesta quarta-feira. O estudo inédito, feito com base na última Pesquisa Anual do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra também que o setor empregava 10,7 milhões de pessoas em 2014. Destes, 53%, ou 5,7 milhões, estavam em empreendimentos de pequeno e médio porte, com menos de vinte funcionários.

O levantamento da Fecomercio-SP indica que além do alto número de competidores e da força da venda das grandes empresas, os pequenos e médios têm que superar a disputa por profissionais com as grandes redes. Como o salário ofertado é menor (uma média de 1.033 reais, contra 1.932 das grandes empresas), a tendência é que as empresas menores tenham uma alta rotatividade e acabem contratando profissionais menos qualificados. Essa diferença acaba reduzindo a competitividade dos pequenos e médios.

Para a economista da FecomercioSP, Kelly Carvalho, esse cenário reforça a necessidade de que as empresas invistam em fazer seleções com mais critério e, também, no treinamento dos contratados. “Isso deve ser encarado como um investimento. É o funcionário que está na linha de frente, e é ele quem pode fidelizar o cliente”, afirma. Segundo ela, este é uma tarefa importante a ser feita em um momento de crise, como o atual, além da revisão da gestão, do estudo do mercado e do planejamento financeiro. “Tem empresário que acaba colocando recursos próprios no negócio. Sem o planejamento, isso acaba virando uma bola de neve”, explica.

Entre os segmentos, o comércio atacadista tem a maior taxa de concentração nas grandes, com 82,2% do faturamento em 6,9% do total das empresas. Já no varejo, 3,2% das empresas de grande porte dividem cerca de dois terços (65,5%) do total das vendas.

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