Em uma operação que marca a entrada do primeiro grupo estrangeiro no varejo farmacêutico brasileiro, a norte-americana CVS adquiriu ontem o controle da rede de drogarias Onofre, a oitava maior do país em receita.

A operação envolveu a venda de 80% das ações da Onofre, fundada pela família Arede, por R$ 600 milhões, segundo apurou a Folha.

A quantia incluiria as dívidas da companhia, referentes a passivos tributários.

As empresas não confirmam o valor do negócio. O anúncio foi feito ontem durante a divulgação dos resultados trimestrais da CVS.

A CVS é o maior grupo de varejo e serviços farmacêuticos nos Estados Unidos, com um faturamento de US$ 123,1 bilhões (aproximadamente R$ 246 bilhões) em 2012.

Suas cerca de 7.500 lojas geraram receitas de US$ 63,7 bilhões no ano passado –mais que o dobro da faturamento das redes de farmácias do Brasil em 2012. O grupo CVS também atua em serviços médicos e na gestão de benefícios em medicamentos.

CONSOLIDAÇÃO

A chegada da primeira rede internacional de drogarias ocorre em um momento de consolidação do mercado local e pode abrir um novo capítulo para o setor.

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Nos últimos anos, duas fusões –entre Droga Raia e Drogasil, em agosto de 2011, e entre Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, semanas depois– levaram à criação das duas maiores empresas do setor em faturamento.

A empresa Brazil Pharma, criada em 2009 pelo banco de investimento BTG, também fez aquisições, incorporando cerca de dez redes de farmácias, incluindo a Drogasil.

Segundo dados da Abrafarma (associação das redes de drogarias), as dez maiores empresas do setor hoje concentram 38% das receitas, ante 20% em 2004.

Para Sérgio Mena Barreto, presidente da entidade, a consolidação ocorre por causa da necessidade de expansão das empresas diante de um negócio de margens apertadas, de até 7%.

INTERESSE

Após a vinda da CVS, cujas negociações com a Onofre vinham sendo alvo de especulações havia alguns meses, o apetite de grandes cadeias de drogarias globais pelo Brasil deve continuar crescendo.

O interesse se explica pela taxa de expansão das vendas de farmácias no país, de 16% em 2012, acima da média dos países desenvolvidos.

Diferentemente do mercado norte-americano, a regulação brasileira restringe venda de alimentos e prestação de serviços, o que deve ser um desafio para as redes estrangeiras, diz o professor da FGV Maurício Morgado.

Nas lojas de até mil metros quadrados de redes como a CVS e a Walgreens, também dos EUA, é possível fazer uma consulta médica e comprar bebidas e refeições prontas.

“Elas vão encontrar limitações, mas pode ser positivo ter gente de fora ajudando os reguladores a discutir esses assuntos”, diz Barreto.

Redes de varejo estrangeiras, como Walmart e Carrefour, também operam drogarias no Brasil, em conjunto com seus supermercados.

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